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Jovem da classe C compra mais que o das classes A e B juntas.
Os jovens da classe C estão tomando conta dos shoppings e centros comerciais de todo o Brasil. Não, nós não estamos falando só dos rolezinhos. Estamos falando do resultado de uma pesquisa feita pelo Instituto Data Popular que foi divulgada há poucos dias.
Ela mostra o seguinte: Os gastos desse público superam o volume de compras da juventude que faz parte da parcela mais rica da população. Esses jovens consomem quase R$130 bilhões por ano, enquanto as classes A e B, juntas, gastam cerca de R$80 bilhões nesse tipo de comércio durante o mesmo período.
E o que eles estão procurando dentro desses verdadeiros templos de consumo? Pelos dados levantados por essa pesquisa, os queridinhos entre os jovens são os eletrônicos e as marcas da moda.
Mas, para levar os produtos para casa, o jovem dessa que é chamada de nova classe média coloca a mão na massa e começa a trabalhar cedo. Além disso, a grana que recebem no fim do mês não vai só para as compras. Geralmente o salário também é usado para ajudar a família, investir nos estudos e para a diversão.
Ainda de acordo com o estudo do Data Popular, o Brasil tem 30,7 milhões de jovens com idade entre 16 e 24 anos e pouco mais da metade deles vai ao shopping em média 3 vezes por mês. A maior parte do consumo acontece nos centros comerciais que estão nas periferias e, quando procuram por uma roupa nova, mais ou menos 45% dos entrevistados disseram que estão mais preocupados com a qualidade do que com o preço, enquanto 55% deles dão mais valor às marcas.
Renato Meirelles é sócio-diretor do Data Popular e, segundo ele, as marcas têm dois papéis na vida do jovem da classe C: “Primeiro, o da celebração. Essa pessoa não sofreu as mesmas adversidades que o pai, cresceu na bonança da economia brasileira e quer mostrar que não passa dificuldades. Por outro lado, esse é também o jovem que sofre preconceito da elite consumidora, como o vendedor que olha de cima para baixo para decidir se vai atender, é também o público que sofre mais revistas policiais”.
Por meio das compras e da moda, os jovens da nova classe média estão aproveitando a ascensão social que levou milhões de brasileiros ao mercado consumidor nos últimos 10 anos.
Para Renato Meirelles, os shoppings precisam abrir os olhos para essa realidade e ter uma postura mais estratégica com esse público, principalmente os que pensam em dificultar o acesso dos jovens a esses lugares (ainda mais quando estão em grupos). “Em médio prazo essa atitude é um tiro no pé”, disse Renato.
Do lado de lá
Mas e do outro lado, o que o pessoal das classes A e B está pensando? A pesquisa também fala sobre isso, olha só.

