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Esta carta a gente faz questão de compartilhar.

Para quem ainda não sabe, a 3ª Conferência Estadual de Políticas Públicas para a Juventude está rolando desde ontem, dia 8 de novembro, em Araxá. Hoje, nove grupos se reuniram de acordo com um eixo para selecionar propostas de políticas públicas para os jovens e, no final, recebemos essa carta. Ela foi escrita por um jovem que estava participando do debate sobre a área da educação, deixou todo mundo emocionado e viemos aqui para compartilhar com vocês. Vejam só.

Em prol do melhoramento escolar, hoje, como aluno representante da Fundação Educacional Caio Martins na Conferência Estadual de Juventude, venho também representar o município de Esmeraldas e gostaria de dizer algumas palavras.

Estou cursando o último bimestre do Ensino Médio e do curso de Agropecuária e pude perceber a necessidade do crescimento intelectual e profissional da juventude do campo. Neste período como jovem estudante de escola pública, percebi a grande diferença entre as regiões. Sou do norte de Minas, vim em busca de mais conhecimento e, num primeiro momento, tive um choque muito grande devido à metodologia de ensino, pois percebi que a escola urbana é mais evoluída que a escola da zona rural de Pirapora, cidade de onde eu vim.

Hoje consigo perceber o quanto uma escola bem estruturada é importante para a vida do jovem, não somente do campo, mas também da cidade, pois eu estudo sem estrutura física adequada. Não temos laboratórios de química e física, informatização e acesso à internet. No meu caso, como estudante da escola agrícola, não temos materiais para as práticas de campo. Em primeiro lugar, a maioria dos jovens acredita somente em seus direitos e não reconhece os seus deveres. Os professores ficam à mercê da violência, falta de estrutura e remunerações muito baixas.

Enfim, a educação está aquém do que realmente precisamos e sei que muitos de vocês passam pelos mesmos problemas que eu. Eu me pergunto e acho que todos devem fazer esta pergunta: Como podemos chegar a uma educação de primeiro mundo com estas políticas públicas de educação praticadas em nosso país?

Pessoal, isto me leva a perguntar: será mesmo do interesse dos nossos governantes investir em educação? Será que nos querem bem informados e votando acertadamente? Realmente tenho minhas dúvidas. Afinal, o poder contagia e adoece. Em se tratando de profissionalização do jovem rural, como hoje me considero um técnico agrícola, me pergunto: quantas escolas estaduais poderiam oferecer tal formação profissional a jovens que querem permanecer no campo como eu? Acho que se existisse interesse seriam muitas…

Pessoal e políticos presentes, saibam que vale a pena investir no jovem do campo, uma vez que sabemos que o setor agroindustrial é responsável por, no mínimo, 5,4% do PIB nacional. Sei que existem iniciativas do Poder Público, como a Escola Familiar Agrícola, escolas técnicas agropecuárias e o programa estadual ‘Protagonismo Juvenil’ (que, aliás, a FUCAM, lugar onde estudo, é uma ação dentro deste projeto), mas quero que saibam que estamos precisando de mais investimentos. Não temos estrutura física nem um OLHAR POLÍTICO para nós, jovens do campo.

A vocês, políticos presentes, peço em nome de toda a juventude rural, de todos os alunos da FUCAM e do povo do campo: invistam na gente. O risco que correrão é de não serem decepcionados e de realmente construírem um país melhor e mais justo.

Meu muito obrigado,
Fabiano Brandão Rocha